sábado, 1 de novembro de 2008

Imprevisto.

Andava...
Numa estrada longa e escura... Diante dos olhos a Lua e outras pequenas gotas de Sol espalhadas pela imensidão do céu. Andava sem saber para onde, olhar distante, respiração ofegante, corpo cansado, coração já meio parado, quase enferrujado. Caminhava olhando para mim, percebendo meus sentimentos, fechado em copas, cuidando das marcas deixadas pelo tempo passado que pesava e insistia em ser presente. Olhos carentes, lágrimas que regavam o chão seco e empoeirado. Andava... Entre poeira e lágrimas. Vielas...
Sem saída, já não me preocupava, resignado, despetalado... Bem me quer mal me quer, com espinhos ressecados.
Via a Lua emoldurada, imóvel, recortada, janela aberta na madrugada repetidas vezes solitária.
Mas no fundo, em um canto bem guardado, na esquina entre a esperança e o passado, entre o ir e o ficar, surge tímido e singelo o seu olhar.
Manso e decidido, dedilhar do violão, um olhar de imensidão, voz transcendente me tirando do chão. Estomago travado, emoção... Olhos para tocar, mãos para ver, pernas para tremer ao te sentir respirar... Respirei intensamente, um instante, congelado, o tempo completamente parado, o calor não agredia, o vento despenteava, a sede não incomodava, as formigas passeavam felizes sobre os meus pés repousados na grama. Por do Sol solto no espaço, olhos fechados, minha alma espelhada na lágrima que brotava no canto do seu olhar.
Andava... Naquele instante caminhava, inesperadamente.
O chão empoeirado se refaz em terra fértil, as lágrimas em felicidade.
Um momento dilatado por toda eternidade.


Maick Bareto

3 comentários:

Cajú disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Jessikona disse...

Ave Maria!

Sem textos fazem mudar até a respiração do individuo que ler...

Nai disse...

Quem bom fazer parte disso.
Que Deus nos proteja.