terça-feira, 25 de dezembro de 2007

(...)

Bem...Bem... Bem...
Um sino ressoa em mim...
Na mente um pensamento. Não, não seria um pensamento. Mais conveniente perceber a verdade que atravessa as trancas e assumir que não é um pensamento que me domina, não existe nenhuma especificidade em nada que paira em meus pensamentos, minhas memórias e meus sentimentos. Em mim não mora apenas um pensamento que me tire a noção, que abale minha musculatura causando um tremor desconfortante ou mesmo que me dê a imagem concreta do que se passa em mim. Estranho o fato de não ter um rosto, não sei se sorriso ou choro. Não tenho nenhum mecanismo da vida cotidiana que possa fazer com que um simples sinal, por mais distante que seja, indique qual é a direção do meu vazio. Não! Mais uma vez tenho que apelar para a sinceridade e ter a coragem de assumir que não tenho um vazio, não se trata da falta de algo, não necessariamente... Estou preenchido de tudo, tudo que sempre esteve presente, sempre fez parte de mim, sempre esteve em tudo, com tudo. Contudo não é um todo. É incompreensível, inimaginável... Um som que se propaga no espaço, assim são meus sentimentos. Meu corpo... Uma imensidão por onde viajam os sentidos que estão aprendendo a sentir. Tenho a noção de que algo acontece no momento em que escrevo, já vem acontecendo... Sinto com se estivesse em frente a um espelho que não me devolve o reflexo e em seu lugar enxergo meu coração. Mais uma vez digo – Não tenho um vazio. Sou um caldeirão preenchido... As fotografias animadas remexem e se contorcem indicando algo incomum. Estou no passado... Essa é a noção do que me fere... Uma brecha se abriu, e caí num mundo que não é mais meu, não me pertence, ou melhor: Um mundo que já me pertenceu e que hoje volta como lembrança, mas não uma lembrança como aquela que se tem de um acidente presenciado no dia anterior ou da campainha que tocou na madrugada. Trata-se de uma lembrança que não pode ser alcançada pela memória.
Me sinto como um poema de Drummond, onde o lirismo faz parte da vida e a vida não vive fora da poesia. Sou versos que pairam no ar a espera de serem escritos nas páginas transparentes da existência. É exatamente assim... Um verso pousou em minha testa, sem muita cerimônia dominou meus sentidos. O que ele diz é incompreensível à razão, sua metáfora é sutil o suficiente para falar direto ao estômago, ao centro, fala direto ao que em mim não conheço.
Reconheço, sou um poço de sensações confusas a espera de um arqueólogo conhecedor do aramaico para decifrar-me.
Por enquanto ouço o badalar do sino que me leva a sonhar. Um sino, que ao ressoar aconselha-me a estar... BEM...BEM...BEM...

Maick Barreto

2 comentários:

suelen.matos disse...

ai que saudades!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bruno disse...

Porra, revivi tudo!